LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

MINISTRANTE: Daniela Munerato
REALIZAÇÃO: Vincular Consultoria em Educação e Saúde da Infância Ltda.
CARGA HORÁRIA: 10 horas
TEMPO DE ACESSO: Durante vigência da Assinatura
Observação: Formação EXCLUSIVA para assinantes!


APRESENTAÇÃO, METODOLOGIA E CONTEÚDO DA FORMAÇÃO

Será uma formação totalmente online, com quatro aulas gravadas que serão liberadas a partir do dia 23 de agosto de 2026. A partir dessa data, você já poderá acessar a sua conta de assinante na plataforma e começar a assistir as aulas. O certificado será de 10 horas.

PROGRAMA COMPLETO DAS AULAS DO CURSO

AULA 1: O que significa LER e ESCREVER na Educação Infantil: compreendendo as quatro situações didáticas fundamentais no contexto dos Campos de Experiências.
Ementa: Quando tratamos do direito das crianças às cem linguagens da infância, conforme proposto por Loris Malaguzzi, compreendemos que a oralidade, a leitura e a escrita, enquanto práticas sociais de linguagem, devem estar presentes de forma intencional no cotidiano escolar, uma vez que as crianças já estabelecem contato com essas linguagens em diferentes contextos sociais. O contato com a leitura e a escrita em situações significativas desperta a curiosidade, favorece a investigação e promove importantes processos de construção do conhecimento. Nesse contexto, cabe ao professor organizar situações didáticas que possibilitem às crianças resolver problemas relacionados ao sistema de escrita, às estratégias e aos propósitos de leitura, bem como à produção de textos em diferentes gêneros discursivos e com distintas finalidades comunicativas. Para isso, sua atuação fundamenta-se em quatro situações didáticas essenciais: ler pelo professor, ler por si, escrever pelo professor e escrever por si.

AULA 2: O encontro da leitura no cotidiano, em contextos sociais e significativos: ler antes de saber ler.
Ementa: A leitura está presente na vida das crianças desde muito cedo. Elas observam os adultos lendo para aprender algo, buscar informações, investigar, entreter-se ou simplesmente por prazer. Os textos circulam em diferentes contextos do cotidiano infantil: livros, revistas, placas, embalagens, legendas, cartazes e tantos outros suportes fazem parte de suas experiências. Além disso, o próprio nome constitui uma das primeiras palavras estáveis com as quais a criança estabelece contato, marcando sua identidade desde a identificação na maternidade até sua presença em diferentes espaços de convivência. Por ser uma palavra estável, o nome próprio torna-se uma importante referência no processo de apropriação da escrita. Diferentemente de outras palavras, sua forma convencional não costuma ser objeto de discussão, favorecendo que a criança estabeleça comparações, formule hipóteses e avance, progressivamente, na compreensão do sistema de escrita por meio de diferentes critérios de análise. Ler amplia a compreensão de mundo e possibilita o contato com diferentes culturas, modos de viver e formas de expressão. Ao ouvir histórias, por exemplo, as crianças apreciam a sonoridade das palavras, acompanham os diálogos entre os personagens, ampliam seu repertório linguístico e desenvolvem a imaginação. Além disso, recorrem à leitura para esclarecer dúvidas, buscar informações e compreender diferentes textos que circulam socialmente, reconhecendo suas distintas finalidades e características. Ler significa construir significados. A leitura não se restringe à decodificação das palavras, pois compreender um texto envolve mobilizar conhecimentos prévios, formular hipóteses, estabelecer relações e interpretar informações. Trata-se de um processo interativo, no qual leitor, texto e contexto dialogam continuamente, possibilitando diferentes formas de compreensão e atribuição de sentidos.

AULA 3: As contribuições da Literatura no processo de leitura e escrita e o planejamento de uma biblioteca de sala.
Ementa: Quem não se encanta com um livro nas mãos? Desde muito cedo, observamos os bebês explorando livros: contemplam as imagens e as cores, tocam o papel e, pouco a pouco, passam a imitar os adultos, virando as páginas e simulando a leitura. Não é incomum que, nesse processo, rasguem alguma página, pois ainda estão desenvolvendo a destreza e os cuidados necessários para manusear os livros. Esses cuidados também são aprendidos nas experiências cotidianas e, por isso, os livros devem permanecer ao alcance das crianças, possibilitando que desenvolvam, gradativamente, conhecimentos, atitudes e procedimentos relacionados ao seu uso. Os livros precisam estar presentes em diferentes espaços da instituição educativa, compondo ambientes que convidem à leitura e à imaginação: na sala de referência, no ateliê de Arte, nos espaços externos e em outros ambientes de convivência. Mais importante do que a quantidade de livros é a qualidade das escolhas literárias realizadas pelo professor, garantindo que esse encontro com a literatura seja diverso, significativo e formativo. Nesse sentido, é fundamental refletir: quais critérios orientam a seleção das obras para determinado grupo de crianças ou faixa etária? Desde pequenas, as crianças podem ampliar seu repertório literário por meio do contato com diferentes autores, ilustradores, gêneros e linguagens. Livros de imagens, livros-álbum, contos clássicos, poesias, narrativas da literatura contemporânea e obras que abordam situações próximas às vivências infantis contribuem para a formação de leitores sensíveis, curiosos e críticos. A leitura literária é, antes de tudo, um encontro afetivo e estético. É o prazer de ouvir diferentes vozes dando vida às histórias e de compartilhar o mistério da linguagem escrita. Como afirma Emília Ferreiro, para quem ainda não domina convencionalmente a leitura, há um grande mistério a ser desvendado: compreender que, independentemente de quem leia a história, o texto permanece o mesmo. Essa constatação representa uma importante motivação no processo de apropriação da cultura escrita. Nesse contexto, o professor assume o papel de mediador da leitura, promovendo intervenções que ampliem a compreensão das crianças e as levem a perceber aspectos do texto que, sozinhas, talvez não identificassem. Essa mediação acontece por meio de perguntas abertas e desafiadoras, que estimulam a interpretação, a reflexão e a construção de sentidos, e não por questionamentos que conduzem a respostas únicas ou restritas ao "sim" e ao "não". Perguntas como "Qual era o plano do Gato de Botas?" ou "Por que ele agiu dessa maneira?" convidam as crianças a formular hipóteses, interpretar as intenções dos personagens e explorar significados que não estão explicitamente escritos. É nesse movimento que a mediação docente possibilita o acesso às camadas mais profundas da narrativa, contribuindo para a formação de leitores competentes e críticos.

AULA 4: Escrever na Educação Infantil: quando, como e com qual propósito
Ementa: Desde pequenas, as crianças observam os adultos escreverem e, muitas vezes, reproduzem essas ações em suas brincadeiras. Por meio das experiências vividas em diferentes contextos, compreendem, gradativamente, que a escrita cumpre diversas funções sociais: registrar informações, fazer listas, lembrar acontecimentos, recuperar informações, dar continuidade a uma atividade, seguir uma receita, organizar uma brincadeira, entre tantas outras possibilidades. Escrever, no entanto, é um ato desafiador. A criança precisa pensar sobre o que deseja escrever e, ao mesmo tempo, refletir sobre como registrar suas ideias. É no próprio processo de escrita que ela aprende a escrever. Não se trata de conhecer ou memorizar as letras do alfabeto, esta não é uma condição para tal aprendizado, pois a simples memorização não garante a compreensão do sistema de escrita, que não é um código e sim um sistema de representação. Trata-se de elaborar registros, fazer tentativas de leitura, estabelecer relações entre aquilo que já sabe e os novos conhecimentos que constrói. Leitura e escrita são práticas indissociáveis, que se complementam e se fortalecem mutuamente. Quando a criança escreve e, em seguida, tenta ler o que produziu, é levada a refletir sobre seu próprio registro, confrontando hipóteses e reorganizando seus conhecimentos. Esse movimento favorece avanços significativos em seu processo de alfabetização. Essas aprendizagens não acontecem de forma espontânea. Elas dependem da mediação intencional do professor, que organiza situações em que a escrita seja necessária, tenha uma função social e um propósito comunicativo claro. Para isso, o planejamento docente é fundamental, contemplando desde a organização dos agrupamentos até a proposição de atividades desafiadoras e a formulação de perguntas que promovam a reflexão e a construção de novos conhecimentos.
 

INSCRIÇÕES: ORIENTAÇÕES E INVESTIMENTO

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Conteúdo do curso


Sobre os Instrutores
Daniela Munareto

Daniela Munareto

Formadora de professores desde 2004, é professora e psicóloga, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem pela Universidade de São Paulo (USP), mestranda em Alfabetização na Universidad Nacional de La Plata e doutoranda na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), na área de Currículo e Formação de Professores. Atua como coordenadora pedagógica na Carandá Educação, integra a Caminos Formativos e a Rede Latino-Americana de Alfabetização, além de ter participado da equipe responsável pela elaboração do material do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (MEC, 2024).